Março 23, 2008

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IN TREATMENT

(primeira semana)

1

Na série In Treatment não tem como você reclamar. Ao longo dos seus episódios, há pelo menos um ponto de interesse: o que suscita em nós a busca por respostas para os nossos próprios dilemas, medos e angustias. Pelo menos em um momento da vida pensei em procurar um psiquiatra, psicanalista, terapeuta, psicólogo ou alguém do ramo – aliás, em algum momento da vida todos nós já pensamos em procurar ajuda. Lembro que eu tinha problemas sérios quanto a um certo comportamento que, de uma hora pra outra, desapegava-se do que estava vivenciando, abandonava radicalmente seja lá o que fosse. Isso acompanhado da ausência de qualquer sentimento, ora relativo a pessoas com quem mantinha alguma relação afetiva, ora a algum projeto profissional.

2

Estruturado em sessões de terapia, que, a cada dia da semana, Dr. Paul faz em sua casa com cada um dos seus pacientes, In Treatment está claramente posto em um dispositivo: o encontro entre personagens em diálogo baseado no plano/contraplano e na locação única. Dispositivo que, a rigor, obedece a natureza das sessões de terapia alicerçada no campo que existe entre o terapeuta e o paciente, que ora se comprime pelas tensões que se alastram, ora torna-se elástico pela aceitação do que se conclui. Em um e em outro momento, o plano/contraplano dá lugar a outras formas de montagem que nos mostram objetos da casa do Dr. Paul e outros espaços além da sala – como o banheiro e o quintal por onde entram e saem os pacientes a cada sessão de terapia.  

3

A primeira paciente é Laura, uma jovem muito bonita e sensual que, aos prantos, abre a série e sua vida. Entre uma revelação e outra, sabemos que sua história com o namorado não vai nada bem, que na noite anterior chegou a ter um rápido affair com um desconhecido em um bar e, no final, revela estar apaixonada pelo seu terapeuta. Em nenhum momento, In Treatment parece querer abandonar a radicalidade do plano-contraplano, a locação única e uma estrutura baseada no diálogo. Entre um paciente e outro, In Treatment segue a risca o seu dispositivo com a sucessão dos rostos dos personagens no quadro, a geografia diminuta e restrita do consultório dominando o cenário e o poder da palavra guiando nossa imaginação o tempo todo.  

4

Mesmo que, a cada episódio, leve o seu dispositivo à frente, aos poucos, In Treatment começa a se abrir, quando Laura se desloca para o banheiro e quando, no terceiro episódio, Paul beija seu filho. Ali vemos um outro espaço diferente da locação única, rompida também com as entradas e saídas do consultório de Paul pelos pacientes que torna cenário o lado de fora da casa. Ali também sabemos um pouco mais sobre a vida do terapeuta, que se abre por completo, ou quase, no quinto episódio com a ida a casa da sua terapeuta, mesmo que seja para uma conversa informal. Mas, na série In Treatment, o que fica latente é o envolvimento do terapeuta nas histórias de seus pacientes, o que dá pra entrever no nervosismo das mãos e do rosto de Paul em alguns momentos e na sua “confissão” final.  

5

Nestes cinco primeiro episódios, que inauguram a primeira semana da série em exibição na HBO, um ponto é marcante nas narrativas: as questões relativas ao sexo, ao corpo e ao desejo – Laura e sua transferência erótica, bem como sua relação com o namorado, o affair no bar e o próprio terapeuta; Alex e a “ereção de um morto”, seu contato com o amigo Daniel; Sophie e o seu treinador; Jake e Amy, traição e decisão do aborto; a relação tênue entre Paul e Gina e todos os “nós” do trabalho do terapeuta e dos vínculos com os pacientes. Em todos os episódios, fica a lição da terapia para os que buscam na série respostas para seus problemas: o limite ético, a revelação do que se esconde, o confronto com os sentimentos.

3 Responses to “”

  1. Ailton Monteiro Says:

    Muito bom, fella! Eu assisti até o quarto episódio e estou curtindo muito também. Acho que os que eu mais gostei foram o primeiro e o segundo episódios, mas Rodrigo Garcia manda muito bem na direção e como ele é o diretor de todos os episódios da série, há garantia de qualidade.

  2. Marcos A. Felipe Says:

    Gostei muito do encontro do terapeuta com a sua supervisora: ou amante, ou amiga, ou colega de profissão? A linha tênue que separa os dois, naquele quinto episódio, está muito bem construída. Achei fantástico… Só não digo que é mnelhor do que o paciente 1, porque a paciente 1 é uma delícia ehehe

  3. Ailton Monteiro Says:

    Mal posso esperar pra ver a volta da paciente 1 e do paciente 2. hehehe

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