Abril 28, 2008

 

 

O fato é que abril não foi o mês mais propício para ver filmes. Uma série de coisas me impediu de manter a média de filmes por mês que vinha mantendo ao longo do ano de 2008. Na verdade, por alguns motivos ocultos ou inexplicáveis, ou não identificáveis, eu não me vi entusiasmado em relação ao cinema, ao ato quase ritualístico de ver filmes, seja em casa no monitor do computador ou da TV, seja na sala escura e mágica do cinema – o espaço ontológico de apreciação da imagem em movimento. Uma série de coisinhas que ainda continua nos meus calos, querendo, a todo instante, ocupar um tempo e um espaço que não estão abertos e nem podem se abrir.

 

Do que vi, só Dexter – Segunda Temporada me manteve aceso, ainda que diante de uma seqüência de atos onde a morte estava sempre presente. Foi um mês parco de filmes, bem diferente dos anteriores, mesmo que eu tenha revisto Collateral (2004) e Heat (1995) com o mesmo prazer de quando os vi pela primeira vez. O mês acabou com o irlandês Once (2008), fechando, com suas canções, um momento musical com Kathryn Williams e Cat Power que não saem do mediaplayer do meu computador. Abril, que teve início com Ledo Ivo, ainda teve seus momentos literários com Órfãos do Eldorado (2008, Milton Hatoum) e Marilyn – Últimas Sessões (2008, Michel Schneider).

 

 

Abril 19, 2008

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KATHRYN WILLIAMS

 

 

Uma das melhores coisas que, ultimamente, tem rodado sem parar no player do meu computador. Que bela voz! Violão vivo! Que ressoam vozes de outros tempos, canções antigas. Um presente exposto na blogosfera pelo excelente blog Wilco, etc. (link ao lado) e que pode ser baixado aqui.

 

Abril 15, 2008

CAT POWER

 

Abril 14, 2008

 

Depois de um dia um tanto quanto estressante na universidade, – reunião de colegiado, coisas para dar conta, início do semestre e algumas indefinições –, resolvi passar na Siciliano local para comprar dois livros. Um deles, eu já aguardava há algum tempo, como aguardo qualquer coisa que o romancista Milton Hatoum venha a colocar nas prateleiras do mercado editorial, mas o outro descobri recentemente. Em momentos de tempestade, prefiro me perder na faina imprecisa dos sonhos, seja através das imagens ou das palavras.

 

23h45 - seis horas depois …

 

Acabei de ler o livro do Hatoum: um relato curto, umas cem páginas. O testemunho sobre a decadência, um relato emocionante sobre um amor perdido. De um sopro, Milton Hatoum entra na memória de um “velho” e extrai a história de um mito amazônico (O Eldorado), de uma Manaus (ou de um tempo) decadente e da história de uma família em ruínas. A relação pai-filho é forte, a decadência material também. Como estamos diante de um relato, você fica a se perguntar pra quem está sendo contada a história, quem está ouvindo, registrando e nos contando – aspecto que me pegou a medida que lia…O fechamento de Órfãos do Eldorado é magistral, pois encerra o ciclo e dá vida a novela.

 

Abril 14, 2008

 

O filme My Blueberry Nights (2007, Wong Kar Wai) me levou até a canção de atmosfera noturna The Greatest da cantora australiana Cat Power, que, por sua vez, fez carreira e reconhecimento na América: – às vezes tão risonha e franca a quem ela procura para tentar a grande chance e oportunidade. Meu interesse pela cantora e compositora, cujo nome verdadeiro é Chan Marshall, se desdobrou em horas a fio diante da mesma canção e, logo, procurou o que dela existisse na Internet. Os vocais angustiantes e as melodias tocadas em algum bar perdido em uma grande cidade… Acabei, por isso, baixando os álbuns You Are Free (2003), The Greatest (2006) e Jukebox (2008), que agora estão em meu player a rodarem sem hora e data pra pararem.

Abril 12, 2008

My Blueberry Nights 4/5

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O último filme de Wong Kar Wai visto hoje pela manhã e, agora, relembrado através de sua soundtrack e da memória de suas imagens: Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman – personagens encarcerados em mesas de cafés, bares e cassinos e perdidos em espaços pontuados por cores e sons noturnos. Uma boa maneira de começar o dia e, aos poucos, voltar a ver filmes, mesmo a partir de uma obra sobre vidas amarguradas, perdidas e em ruínas… Otis Redding, Cat Power, Mavis Staples, Gustavo Santaolalla e o magnífico Ry Cooder agora fazem o filme permanecer por mais alguns minutos enquanto escuto seus sons, guitarras, músicas e vozes… E a América era tão risonha e franca…

 

 

 

Vi ontem na vitrine de uma livraria local:

Capítulo I leia aqui

 

Sabia que precisava ler algo mais consistente sobre Marilyn Monroe desde quando, anos atrás, assisti uma entrevista com o produtor, cineasta e ator brasileiro Daniel Filho. Nunca tinha visto um relato tão apaixonado sobre a atriz americana! Ao passar ontem em frente a Livraria Siciliano, percebi que tinha que comprar o livro de Michel Scheneider, o que somente foi confirmado ao ler o primeiro capítulo disponível na Internet. Essa mistura de literatura, biografia e novo jornalismo me convenceu totalmente, mas sobretudo o fato de ter uma das Deusas da Sétima Arte desnudada e revelada em parte de sua vida.

 

Abril 1, 2008

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SONETO DE ABRIL

 

Agora que é abril, e o mar se ausenta,

secando-se em si mesmo como um pranto,

vejo que o amor que te dedico aumenta

seguindo a trilha de meu próprio espanto.

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Em mim, o teu espírito apresenta

todas as sugestões de um doce encanto

que em minha fonte não se dessedenta

por não ser fonte d’água, mas de canto.

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Agora que é abril, e vão morrer

as formosas canções dos outros meses,

assim te quero, mesmo que te escondas:

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amar-te uma só vez todas as vezes

em que sou carne e gesto, e fenecer

como uma voz chamada pelas ondas.

(Ledo Ivo)

Março 31, 2008

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FILMES DE MARÇO

Dexter – Primeira Temporada (2006, James Manos Jr.) 3/5

No Direction Home (2005, Martin Scorsese) 5/5

In Treatment – eps. 1-16 (2007, Rodrigo Garcia) 4/5

Não por Acaso (2007, Philippe Barcinski) 1/5

Scoop (2006, Woody Allen) 1/5

Paranoid Park (2007, Gus Van Sant) 4/5

A Vida dos Outros (2006, Donnersmarck) 4/5

Reis e Rainha (2004, Arnaud Desplechin) 3/5

Youth Without Youth (2007, Francis Ford Coppola) 2/5

O Tempo que Resta (2005, François Ozon) 3/5

Redacted (2007, Brian De Palma) 4/5

Jogo de Cena (2007, Eduardo Coutinho) 5/5

Sangue Negro (2007, Paul Thomas Anderson) 4/5

Viagem a Darjeeling (2007, Wes Anderson) 3/5

I’m Not There (2007, Todd Haynes) 1/5

O Ovo da Serpente (1977, Ingmar Bergman) 4/5

Mutum (2007, Sandra Kogut) 3/5

A Conversação (1976, Francis Ford Coppola) 4/5

Março 23, 2008

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IN TREATMENT

(primeira semana)

1

Na série In Treatment não tem como você reclamar. Ao longo dos seus episódios, há pelo menos um ponto de interesse: o que suscita em nós a busca por respostas para os nossos próprios dilemas, medos e angustias. Pelo menos em um momento da vida pensei em procurar um psiquiatra, psicanalista, terapeuta, psicólogo ou alguém do ramo – aliás, em algum momento da vida todos nós já pensamos em procurar ajuda. Lembro que eu tinha problemas sérios quanto a um certo comportamento que, de uma hora pra outra, desapegava-se do que estava vivenciando, abandonava radicalmente seja lá o que fosse. Isso acompanhado da ausência de qualquer sentimento, ora relativo a pessoas com quem mantinha alguma relação afetiva, ora a algum projeto profissional.

2

Estruturado em sessões de terapia, que, a cada dia da semana, Dr. Paul faz em sua casa com cada um dos seus pacientes, In Treatment está claramente posto em um dispositivo: o encontro entre personagens em diálogo baseado no plano/contraplano e na locação única. Dispositivo que, a rigor, obedece a natureza das sessões de terapia alicerçada no campo que existe entre o terapeuta e o paciente, que ora se comprime pelas tensões que se alastram, ora torna-se elástico pela aceitação do que se conclui. Em um e em outro momento, o plano/contraplano dá lugar a outras formas de montagem que nos mostram objetos da casa do Dr. Paul e outros espaços além da sala – como o banheiro e o quintal por onde entram e saem os pacientes a cada sessão de terapia.  

3

A primeira paciente é Laura, uma jovem muito bonita e sensual que, aos prantos, abre a série e sua vida. Entre uma revelação e outra, sabemos que sua história com o namorado não vai nada bem, que na noite anterior chegou a ter um rápido affair com um desconhecido em um bar e, no final, revela estar apaixonada pelo seu terapeuta. Em nenhum momento, In Treatment parece querer abandonar a radicalidade do plano-contraplano, a locação única e uma estrutura baseada no diálogo. Entre um paciente e outro, In Treatment segue a risca o seu dispositivo com a sucessão dos rostos dos personagens no quadro, a geografia diminuta e restrita do consultório dominando o cenário e o poder da palavra guiando nossa imaginação o tempo todo.  

4

Mesmo que, a cada episódio, leve o seu dispositivo à frente, aos poucos, In Treatment começa a se abrir, quando Laura se desloca para o banheiro e quando, no terceiro episódio, Paul beija seu filho. Ali vemos um outro espaço diferente da locação única, rompida também com as entradas e saídas do consultório de Paul pelos pacientes que torna cenário o lado de fora da casa. Ali também sabemos um pouco mais sobre a vida do terapeuta, que se abre por completo, ou quase, no quinto episódio com a ida a casa da sua terapeuta, mesmo que seja para uma conversa informal. Mas, na série In Treatment, o que fica latente é o envolvimento do terapeuta nas histórias de seus pacientes, o que dá pra entrever no nervosismo das mãos e do rosto de Paul em alguns momentos e na sua “confissão” final.  

5

Nestes cinco primeiro episódios, que inauguram a primeira semana da série em exibição na HBO, um ponto é marcante nas narrativas: as questões relativas ao sexo, ao corpo e ao desejo – Laura e sua transferência erótica, bem como sua relação com o namorado, o affair no bar e o próprio terapeuta; Alex e a “ereção de um morto”, seu contato com o amigo Daniel; Sophie e o seu treinador; Jake e Amy, traição e decisão do aborto; a relação tênue entre Paul e Gina e todos os “nós” do trabalho do terapeuta e dos vínculos com os pacientes. Em todos os episódios, fica a lição da terapia para os que buscam na série respostas para seus problemas: o limite ético, a revelação do que se esconde, o confronto com os sentimentos.

Março 22, 2008

Terra Estrangeira (1996, Walter Salles)

seqüência final